Wednesday, September 15, 2010

Dos venenos do amor...

"O primeiro que dizíamos é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera!

O segundo veneno do amor é a ausência. Muitas enfermidades se curam só com a mudança do ar; o amor com a da terra...E que terra há que não seja a terra do esquecimento, se vos passastes a outra terra?

O terceiro veneno do amor é a ingratidão. Assim como os venenos mais eficazes são ordinariamente os mais violentos, assim a ingratidão é o veneno mais sensitivo do amor, e juntamente o mais efetivo

É pois o quarto e último veneno do amor, e com o qual ninguém deixou de sarar: o melhorar de objeto. Dizem que um amor com outro se paga, e mais certo é que um amor com outro se apaga. Assim como dois contrários em grau intenso não podem estar juntos em um sujeito, assim no mesmo coração não podem caber dois amores, porque o amor que não é intenso não é amor."


adaptado de Sermão do Mandato...Pe Vieira

1 comment:

Jôjô said...

O tempo realmente é companheiro, apesar de lento...